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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Desafio Literário 2010 - Livro reserva de Fevereiro.


Gregory Maguire - Confissões de uma Irmã de Cinderela.

Editora: José Olympio
Páginas: 390

Ano: 2006

Todos nós já ouvimos a história de Cinderela, a bela criança transformada em escrava e renascida das cinzas. Mas e suas irmãs de criação, as duas exiladas na ignomínia pela fala da amável filha de seu padrasto? Qual destino é guardado àqueles desprovidos de beleza? E que maldições acompanham a bela aparência? Contextualizada na Holanda do século XVII, Confissões de uma Irmã de Cinderela conta a história de Íris, uma heroína peculiar que sai das ruas de Haarlem para um estranho mundo de riqueza, artimanhas e ambição. Seu caminho cruza-se com o de Clara, a menina misteriosa e assustadoramente bonita destinada a se tornar sua irmã. Enquanto Clara se refugia nas cinzas do acolhimento da família, Íris sai em busca dos obscuros segredos de sua nova casa e da traiçoeira verdade de sua antiga vida. Muito mais do que um simples conto de fadas, Confissões de uma Irmã de Cinderela é um romance de beleza e traição, ilusão e entendimento, que nos lembra que a decepção pode surgir, assim como o amor, dos lugares menos esperados.

Comentários:

Se você adora aqueles livros de romances nos quais as personagens passam por percalços, mas conseguem encontrar motivos para crer na felicidade ou que terminam no 'felizes para sempre', certamente esse não é o seu tipo.

Essa história é daquelas que te inquietam, levam a pensar, em que cada linha desdobra-se em questionamentos e lições.
Terminei sua leitura numa dúvida cruel: gostei ou não gostei? Mas como ele mesmo discute esse nosso costume de classificar coisas em uma ou outra categoria, digo que ele não se encaixa em nenhuma.

(...) Você podia nascer como a senhora Handelaers de queixo de jumento ou a des­lumbrante Clara van den Meer, a Jovem com Tulipas. Como tentamos imobilizar o mundo entre extremos opostos! E num mundo destes, como Margarethe costumava perguntar, qual é a utilidade da beleza? Passei minha vida cercada por pintores e ainda não sei a resposta. Mas suspeito, em alguns dias, que a beleza ajuda a proteger o espírito da humanidade, envolve-a em ataduras e a socorre, para que possamos sobreviver. A beleza não é um fim em si mesma, mas torna nossas vidas menos infelizes para que possamos ser mais generosos... Bem, então, vamos ter a beleza, pintada em nossas porcelanas, pendurada em nossas paredes, soando através de nossas histórias. Somos uma triste tribo de bestas. Precisamos de toda a ajuda que possam nos dar.

Vamos aos detalhes dessa história:

Margarethe Fisher fugiu da Inglaterra com suas duas filhas, Ruth e Íris, após a morte de seu marido. Ela, então, voltou à Holanda, sua terra natal, para ficar na casa de seus familiares. Ao chegar, descobre que esses faleceram, precisando recorrer à caridade alheia para alimentar suas filhas. São recolhidas pelo Mestre - um pintor meio recluso que divide a casa e as tarefas com seu aprendiz, Caspar - que em troca da hospegagem e comida, recebe ajuda doméstica e um rosto para pintar, ainda que não belo. Esse quadro, da pequena Íris em meio as flores silvestres, chama atenção de um possível patrono, Cornelius Van den Meer. Ele contrata os serviços do Mestre para pintar sua belíssima filha, Clara Van den Meer, e suas tulipas, e Íris para fazer companhia e ensinar inglês para Clara. Dessa forma, a família Fisher passa a morar na mansão e conviver com a beleza e riqueza. Após a morte da senhora Van den Meer, Margarethe casa com Cornelius, passando a ser uma dama da sociedade e Clara assume as tarefas domésticas. Íris começa a aprender a pintar. Tudo vai mais ou menos bem até que o mercado das tulipas tem um súbita queda e os Van den Meer perdem todo seu dinheiro. Agora, a madrasta de Clara explora sua beleza e faz tudo para que Íris seja a escolhida pelo príncipe no baile... Será esse o final perfeito para a história?

Esclarecendo alguns pontos:

* Sabemos logo no início o que aconteceu com Clara. É realmente inusitado receber essa informação... totalmente diferente do que estamos acostumados e esperamos ao ler uma história;

* O livro é um tanto cansativo. O ritmo dele é lento, já que conta tudo nos mínimos detalhes, além das suposições um tanto quanto pessimistas. Porém, achei interessante e envolvente do meio para o final da história;

* Gostei muito de Íris... descrita como sem graça e feia, mas com inteligência e coragem. Ela consegue ser a personagem mais cativante da história, ainda que não seja totalmente linear. Como já disse, acho que todos temos dias de mocinho e dias de vilão... Íris tem alguns sentimentos negativos, frutos de sua insegurança e de tanto ouvir sobre a sua 'feiura';

* Ruth é uma personagem interessante nessa história. Descrita como feia, muda e deficiente mental, ela tem um papel fundamental, que é quase impossível de imaginar;

* Já Clara é uma menina cheia de inseguranças, mimada e super protegida pelos pais... bem diferente da 'imagem' comum da Cinderela, a qual desperta carinho em todas as meninas que já escutaram e sonharam com a sua história;

* A madrasta tem os seus momentos de sabedoria, ainda que seja uma criatura que se corrompe pelo luxo e riqueza. Gostei muito de um de seus diálogos e colocarei abaixo para que vocês apreciem (ou não):

Estamos todos dentro de nossa própria prisão.
(...) E qual é a forma da prisão da senhora? — diz Iris.
Margarethe esfrega o nariz e diz:
— Sempre houve uma janela. Você pode suportar qualquer tipo de prisão se for capaz de apreender uma janela no escuro. Seu pai foi aquela janela para mim.

* Ainda há um romance que conquista a nossa torcida... embora não tenha sido muito desenvolvido ou explorado (como o coração romântico e sonhador dessa senhorita gostaria);

* O epílogo é a parte mais interessante do livro. Finalmente descobrimos quem é a narradora da história e também o destino das personagens;

* Enfim, não é um livro fácil, não é uma história romântica, mas conta uma versão nova, diferente e inquietante de um conto de fadas tão enraizado em nossa memória. Se for ler, deixe de lado a visão romântica da Cinderela e não condene as irmãs à vilania sem antes escutar seus lados da história...

Saldo:

Positivo, ainda que tenha demorado a terminar e seja um livro totalmente diferente dos quais estou acostumada e gosto de ler. Taí a parte do Desafio que faria ampliar os nossos horizontes literários!

~> Link para baixar o livro: clique aqui!

É isso, pessoal!

Até o próximo... 'O Morro dos Ventos Uivantes' está aguardando! :)

6 corações despertados:

Vivi disse...

Eu gosto de histórias diferentes, Camilla. Vou colocá-lo na minha lista de pretensão de leituras. Mas, por agora não estou muito a fim de leituras cansativas. Como sempre sua resenha foi bastante elucidativa.

Beijocas

Elisandra disse...

Como sempre sua resenha está ótima e bem completa....parabéns até mais.....bjus elis!!!!

Fernanda disse...

Eu tinha ficado com vontade de ler esse livro antes, mas agora estou meio na dúvida... a lista está tão longa! Acho que em alguma hora vou acabar lendo, mas, por enquanto, eu passo.. ;)

Julianna Steffens disse...

Estou com vontade de ler o Maligna do mesmo autor, que deu origem ao musical Wicked, que adoroooooooo.
Mas esse não quero ler não. Adoro Cinderela, ia estragar toda a magia pra mim..
Adorei a resenha =o**

DANY disse...

OIE!
Parabéns pela resenha!
Vou confessa que quando eu era criança a Ciderela era o meu conto de fadas favorito... é sempre bom olhar uma história que nós gostamos por outros ângulos.Esse vai para minha lista.
Bjos!

Cíntia Mara disse...

Êee... Tava esperando pra ler sua resenha desse livro, rsrs.

Não cheguei a comentar isso na minha resenha, mas também fiquei em dúvida se gostei do livro ou não, rs. Eu simplesmente não sabia o que escrever.
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Eu levei um choque quando soube o que aconteceu à Cinderela. Comentei sobre isso na minha resenha, é a primeira vez que eu leio um livro cujo prólogo tem spoiler do final, rsrs. Mas até aí me surpreendi, pensei que as coisas iam correr de outra forma.
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O começo eu achei beeeem cansativo e considerei a possibilidade de parar. Mas foi bom ter continuado, porque depois melhora.
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Ruth me surpreendeu!
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Bom... Pra mim também foi um tipo de leitura bem diferente do que estou acostumada. E eu me surpreendi bastante no início do livro, porque, pelo título, eu esperava um livro leve e bem humorado.

Beijos