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sábado, 16 de julho de 2011

Resenha: Uma Aposta Perversa



Emma Wildes - Uma Aposta Perversa.

Editora: Planeta (de Portugal)
Páginas: 359
Ano: 2009

Sinopse:

Não se fala noutra coisa na cidade. Num momento menos sóbrio, os dois mais famosos libertinos de Londres - o conde de Manderville e o duque de Rothay - fazem uma aposta muito publicitada para decidirem qual deles é o melhor amante. Mas que mulher que reúna beleza, inteligência e discernimento concordará em ir para a cama com ambos os homens e declarar qual deles é mais competente a satisfazer os seus desejos mais profundos? Lady Caroline Wynn é a última mulher que alguém esperaria que se oferecesse. Uma viúva respeitável com uma reputação de gelo, lady Caroline mantém-se firmemente fora do mercado de casamento. Pode não desejar outro marido, mas o seu breve casamento deixou-a com algumas perguntas escandalosas sobre o acto de fazer amor. Se o conde e o duque concordarem em manter secreta a identidade dela, lady Wynn decidirá qual dos dois detém a maior mestria entre os lençóis. Mas, para surpresa de todos, o que começa como uma proposta indelicada transforma-se numa espantosa lição de amor eterno...

Comentários:

Antes de tudo, preciso dizer que esse livro é hot, dessa forma, inadequado para leitores juvenis. Digo isso porque esse é um blog aberto e qualquer pessoa (de qualquer idade) pode acessar. Então, a partir de agora vou sempre iniciar meus comentários com indicações quanto ao público alvo do romance lido.

Bem, voltando ao livro em questão, preciso dizer que estou numa fase de sorte: os últimos livros que li foram super agradáveis e românticos. Então, nem preciso dizer o quanto gostei desse romance, não é?!
A autora, Emma Wildes, é bem prestigiada internacionalmente e é uma pena que não temos nenhuma de suas obras publicadas aqui no Brasil. Li esse em e-book (com o título traduzido como Uma Proposta Indecente) e procurei outro traduzido, mas infelizmente não temos disponíveis.
A narração é envolvente, de forma que é praticamente impossível parar antes do fim. Além do casal principal, Caroline e Nicholas (duque de Rothay), temos outro romance tão fofo e relevante: o do conde de Manderville, Derek, e Annabel.

Vamos ao meu resuminho da história:

Os dois, o duque diabólico e o conde anjo, são os mais famosos libertinos de Londres, mas mesmo com a fama de procurar envolvimentos rápidos, eles acreditam e, no fundo, buscam o amor verdadeiro. Nicholas, infelizmente, quando jovem, amou a mulher errada, assim evita qualquer profundidade em suas relações amorosas para não arriscar novamente o seu coração. Já Derek está passando por uma fase negativa, pois está apaixonado pela pupila de seu tio, mas fugiu desse amor e a magoou muito, fazendo com que ela decidisse casar com outro.
Depois de beberem todas para esquecer as desventuras, eles ficam contando vantagens quanto aos seus poderes de sedução e, como cada um quer ser melhor amante que o outro, decidem apostar e escolher uma mulher que diga qual dos dois é o melhor...
Essa aposta, mesmo sendo uma loucura total, passa a ser pública, o que ‘choca’ as pessoas da alta sociedade (pelo menos, dizem... olha a hipocrisia!) e aumenta ainda mais a falação e a observação das atitudes dos dois, interessados em descobrir quem seria a juíza desse imoral desafio. Caroline, a viúva do lorde Wynn, é jovem e bela, mas fria e distante, afastando todos os pretendentes. O que, na verdade, é o que ela quer, já que passou por um casamento no qual foi tratada apenas como reprodutora e ainda acusada de ser frígida. Ao ouvir sobre a aposta, vê nessa a chance de saber se o marido falava a verdade, se os cavalheiros resguardarem sua identidade, a fim de manter sua reputação intocável.
Ao descobrir a mulher por trás da carta inteligente e desafiante de oferecimento, o duque fica intrigado com a sua coragem e, ainda, deliciado com a beleza inebriante, o que o faz decidir pelo tempo de uma semana para demonstrar toda sua capacidade sensual.
Nessa aventura de descoberta dos prazeres carnais, Caroline conhece um outro lado do duque diabólico, um homem que espera sua permissão e reconhece sua inteligência, delicado, sensível aos seus medos e, ainda por cima, extremamente romântico.
Será esse comportamento apenas para vencer a aposta? Ou revela que algo mais nasceu entre os dois?

Agora é a vez de Derek ficar com essa mulher maravilhosa... mas será que o conde arriscará comprometer sua honra de vez e perder a mulher que realmente ama?

Além da narração atrativa, as personagens são exploradas de forma que seus receios vêm a tona e explicam muito bem suas atitudes. É um romance histórico, da primeira metade do séc. XIX, revelando muito sobre a sociedade, costumes e hábitos da época, principalmente sobre o papel da mulher – como observamos bem na figura de Caroline, que foi esquecida pelo pai por não ser o varão e herdeiro que esperava e obrigada a um casamento com um homem com esse mesmo pensamento, que a tratava somente como um objeto cuja única importância era na reprodução.

Outro ponto relevante discutido no livro é que ao se apaixonar, costuma-se criar uma imagem do ser amado que nem sempre corresponde à realidade, esperando a perfeição. É assim com Annabel, que vê o conde como um herói e ao descobrir sua má reputação, ressente-se e faz de tudo para esquecê-lo.

As aparências, ou melhor, o pré julgamento também é bem aparente, afinal é fácil julgar uma pessoa pela sua aparência e esquecer que ela é muito mais do que isso. Assim, o duque, diabólico e libertino na superfície é, interiomente, um homem ressentido por ter sido traído pelo seu primeiro amor; o Conde, também visto como libertino, é apenas um homem que foge de seu verdadeiro amor, por ser jovem e recatada. Caroline, fria e distante, é uma mulher maltratada pelo marido.

Enfim, temos aqui um livro que pode partir de um argumento frívolo e aparentemente superficial, mas que se desdobra num enredo consistente e marcante, harmonizando perfeitamente erotismo e romance. Impossível ler e não gostar! Recomendo...

Destaques românticos:

1.
(...)
“Nicholas tinha seus próprios demônios. Derek sabia muito bem que seu amigo havia sofrido uma experiência bem pouco feliz que sempre lhe mantinha em guarda, por mais encantador que pudesse parecer exteriormente. Nick nunca havia comentado, e ele não lhe fez perguntas sobre o toque quase desastroso com o amor, que por parte da mulher com a qual Nicholas pensava casar resultou ser avareza calculada em vez de sentimento profundo. Entre ambos os homens existia um acordo tácito de não falar sobre o assunto, que não havia sido violado nos dez anos de amizade.
Afinal, se pareciam muito.
Pelo visto agora tocava a ele arder no inferno.
Sem dúvida Annabel sentia menos afeto por ele que nunca. Se é que fosse possível. Por que não se dera conta de que a amava, até que fosse tão tarde? Porque era um maldito estúpido, certamente. Ela amava outro. E sabia que Lorde Alfred Hyatt era um tipo decente, o que piorava as coisas. Se ela fosse casar se com um canalha seria razoável que ele manifestasse suas objeções, mas não era assim. De maneira que não podia. E em qualquer caso ela jamais ouviria seus conselhos.
Por que deveria? Ele era perito no que era passageiro, não em matrimônio.
(...)
Se fechasse os olhos, talvez inclusive pudesse fingir que fazia amor com Annabel. Depois de tudo, talvez a estratégia o fizesse vencer.”

2. (...) “A vida que havia vivido até então era a existência sufocante de uma mulher que nunca tinha corrido um só risco. Não tinha tido a oportunidade de fazer algo assim... Até agora. Era uma ocasião perversa e escandalosa de fazer algo tão ousado e insólito que simplesmente não podia deixá-la escapar. Uma oportunidade de reparar o mal feito a sua vida, se as coisas saíssem como ela esperava.
(...)
O que ele estava pensando? Que ela era uma mulher desesperada e solitária, tão faminta da atenção masculina que se deitaria com dois homens só para obter um pouco de afeto? Bem, talvez fosse lógico para os outros, mas não era seu caso. Se ela desejasse companhia masculina poderia encontrar com bastante facilidade. Mesmo com a reputação de ser distante estava farta de rechaçar pretendentes potenciais. Quanto à solidão, certamente preferia mais de ser uma viúva que uma esposa; já que se sabe que tudo tem um preço.
E ela pagara com acréscimo. E por isso estava ali. Sentia-se insatisfeita? Sim, porque em sua vida faltava alguma coisa, como uma omissão evidente em um quebra-cabeça incompleto que arruinava a imagem geral. Encontrar a peça e encaixá-la em seu lugar correspondente era importante para ela. O fato afetava todo o seu futuro, em todas as formas imagináveis.
A paixão física era um mistério que lhe escapava. Não lhe ocorria nenhuma forma de resolver a questão e continuar sendo respeitável. Exceto esta. Havia sido extorquida por um matrimônio, que para começar não tinha desejado, e a insensibilidade de seu marido no quarto não era mais que um aspecto de sua malfadada relação. Agora que ele tinha morrido havia outras facetas de sua negligência sobre as quais ela não podia fazer nada, mas poderia averiguar se o fato de não ter desfrutado da relação conjugal fosse culpa sua, como o marido acusava.
Era lógico supor que se não desfrutasse estar nos braços de dois dos amantes mais celebrados de Londres, então era problema dele. Até que soubesse, era bem improvável que voltasse a se relacionar com homem algum. Ser uma amarga decepção para um marido uma vez já era mais que suficiente. Não estava segura sequer de que voltaria a desejar algum dia ter uma relação íntima com um homem, mas queria ter a oportunidade de decidir sem que o peso de seu passado interferisse em seu presente.”

3. (...) “Nicholas esperou. Ao parecia não receberia mais informação, mas sentia bastante curiosidade sobre seu matrimônio, como resultado da nota que ela tinha escrito.
— Conheci seu marido, embora muito vagamente.
— Teve sorte.
Ele não pôde evitar arquear as sobrancelhas ante o tom direto.
— Entendo.
Caroline o fitou por cima da beirada da xícara e logo a deixou de lado com um cuidado que lhe pareceu deliberado. Os luminosos olhos acinzentados e emoldurados de forma tão encantada por cílios densos e nítidos eram bem diretos.
— Me perdoe, mas não. Não entende. Nunca casaram você com um homem a quem não importa o mínimo. Você nunca serviu aos caprichos de ninguém, e por favor, admita que é consciente das diferenças entre os sexos em nossa sociedade, que permite que cavalheiros aristocratas façam apostas extravagantes sobre a falta de virtude, enquanto às mulheres as julgam com muita severidade em função de que a conservem.”

4. (...) “O primeiro beijo de Annabel havia lhe convertido em escolhido.
E mais, ele havia desejado ser o escolhido.
Entretanto, a realidade tinha o feio costume de irromper de repente, e isso fez com que ele levantasse a cabeça e fitasse seus olhos. Eram azuis, de um tom nítido que só podia ser comparado ao céu espaçoso de verão, e guardavam um toque sonhador de felicidade, enquanto o brilho de um sorriso acariciava seus lábios suaves e ainda úmidos.
Então ela o disse. Não pare. Com um sussurro entrecortado e singular que trouxe para ele um jorro da gélida realidade.
Não pare. Ela estava louca? É obvio que devia parar.
Que maldição, ele acabava de fazer?
Estava com vinte e sete e ela ainda não havia completo dezoito anos. Ele era um cavalheiro com uma formidável reputação de libertino, até certo ponto merecida embora não de todo, e ela era a inocente pupila de seu tio. A menos que quisesse se casar com ela, não devia encostar um dedo nela e muito menos fomentar seu amor.
Naquele momento a palavra matrimônio lhe dava mais medo que o diabo. Não estava seguro de que agora lhe produzira o mesmo efeito, mas então a perspectiva tinha sido distinta.
Então, em um ato de covardia ainda maior que tê-la beijado, balbuciou uma desculpa banal, saiu do aposento bruscamente e a evitou durante o resto do dia, porque não tinha nem idéia do que fazer com os tumultuosos sentimentos de culpa, de conflito e de alguma coisa mais... Algo difícil de definir. Quando tinha acontecido aquilo? Quando a menina se converteu em uma mulher e se deu conta dele?
E mais, quando havia se sentido miserável com isso? Não pela recém descoberta maturidade de Annabel, não pela delicada forma em que o olhava ou se movia, mas sim por ela. A centelha de seu riso, a astúcia rápida e brilhante, o extraordinário brilho de seus olhos quando se fixavam nele.
Havia seduzido, fascinado e conquistado dezenas de mulheres, sem perder a liberdade. E esta jovenzinha, apenas uma moça, não devia afetar sua vida e nem a suas emoções.
Mas afetara.”

5. (...) “Já tinha aprendido que Caroline era inteligente, embora algo tímida. Com certa aprendizagem na arte do flerte poderia escolher qualquer homem da alta sociedade.
Havia uns quantos canalhas por aí e ela não só era preciosa, além rica. Nicholas confiava que ela escolhesse com prudência.
A idéia de que lhe importasse o que pudesse acontecer a Caroline quando terminasse a semana o sobressaltou. Talvez simplesmente tratasse de redimir seu próprio sexo ante os olhos dela, já que durante a conversa anterior havia notado que seu pai não parecia muito melhor que o morto Lorde Wynn. Não que ela espraiasse o assunto, mas havia captado a dor incrustada em sua voz.
Sim, era isso. Conservava certo cavalheirismo, apesar do que havia acontecido com Helena.
Não. Não era o momento de pensar naquele espantoso engano.
— Toque-me você. — Insistiu mordiscando o lóbulo de sua orelha. — Fale comigo.
— Eu... Eu... — Ela titubeou e depois sussurrou: — Eu estou começando a pensar que você não é somente um amante competente, Nicholas. Também é um homem muito bom.
O que ela disse dificilmente era uma insinuação sexual, nem mesmo com a piscada dos cílios ou o sorriso sedutor, mas se sentiu inesperadamente comovido. Não só pela mera frase, mas também pela emoção implícita. Nicholas sabia que tinha fama de ser muitas coisas, mas duvidava que entre elas tivesse algo de bom. Às pessoas, não importava que ele fosse um ser humano decente. Geralmente a riqueza, o fascínio e o encanto superficial em abundância eram mais que suficientes. O verdadeiro nome que havia por trás disso não era o objetivo da maioria das mulheres que conhecia.
Nicholas descobriu que não estava seguro do que dizer e o fato o incomodou. Ela havia lhe imposto este estado de espírito mais de uma vez.
— Obrigado. — Murmurou finalmente.
O suspiro de Caroline lhe roçou a face.
— Não é o tipo de coisas às quais você se referia, certo? Não sou boa nisto.
Ela era mágica. De outro mundo.
(...)
— Foi perfeito.”

É isso! Até o próximo livro com coração...

5 corações despertados:

Anônimo disse...

Ué, mas esse livro não foi publicado só em Portugal ou é impressão minha? as suas citações aparecem em PtBr. Agora fiquei baralhada.

Srta. Camilla disse...

Como coloquei no início da resenha, li esse romance em e-book (traduzido com o título de "Uma Proposta Indecente").

Desbaralhou? :P~

Anônimo disse...

Agora, sim. Desbaralhei. :P Obrigada!

Débora Lauton disse...

Adorei a dica, já baixei pra ler... os livros dessa autora são super recomendados e várias meninas tem cobrado livros em Portugal pela Wook, você viu um vídeo da Tonks a respeito??
Esse já está na minha lista de desejos...
beijos,
Dé...

Kézia Lôbo disse...

Uau, so essa capa ja me faria querer o livro! E depois da resenha com certeza quero mais ainda!